Definitivamente hoje não sei o que escrever neste espaço. Foi uma semana bem estranha, repleta de caixas, perguntas e desejos de boa sorte.
Nessa semana, depois de um bom tempo, organizei meu quarto. Limpei gavetas, arrumei o guarda-roupa, tirei o pó, poli as katanas, separei livros e provas.
Essa semana parei para reler algumas cartas que recebi de pessoas que estão bem distantes, essa semana sentei-me para foliar os velhos álbuns de fotografias. E nesse tempo me perguntei: “Tanto tempo se passou?”
Do tempo do parquinho, o tempo de alimentar o coelho, o tempo do “tema de casa”, o tempo de se adaptar a tantas novas matérias, o tempo de mudar de escola, fazer novos amigos, o tempo de terminar o ensino médio, o tempo de sair de casa.
Eu nunca me imaginei aos 18 anos, alguém já havia se imaginado como seria?
Aos 12 anos eu pensava que pessoas dessa idade eram tremendamente chatas, via meus irmãos e alguns primos sentados num canto, sem ter o que fazer, naquelas festas de fim de ano, e eu me dizia que ia demorar um bocado de tempo para chegar a esses tempos.
Tenho plena consciência que a minha infância foi muito bem aproveitada. Ainda lembro dos finais de tarde após a escola. Sempre alguém aparecia no portão para convidar para brincar na rua. Eu era uma espécie de “líder” (talvez por ser a mais velha?), quase sempre eu ditava a brincadeira e quase sempre acabava em briga ou discussão.
Isso me lembra o quão idiota eu era nessa idade. Havia uma menina com sotaque mais “colonês”, e quase sempre as outras tiravam sarro dela por isso, já eu a ignorava, era fria, ríspida, idiota. Quando discutiam eu não fazia nada para parar com aquilo, ficava lá apenas vendo a outra ser humilhada, chorar e depois chegar em casa e ser castigada pela mãe por ter caído ao tentar correr para casa (?). Ok, ok, dali um dia tudo voltava ao normal, era uma rotina tudo aquilo, mas parando para pensar... Meu Deus, como eu era idiota.
Bom... Nesse caso eu era idiota, mas por outro lado eu construía casinhas nas árvores (na melhor delas recebi muita ajuda de um ex-colega). A primeira foi um total desastre, a árvore estava podre, durou dois meses. A segunda (e melhor) começou tímida, apenas com o chão e um suporte que a aumentava pouco mais que um metro, mas eu queria mais.
Chamei o Jonatan para me ajudar, ficamos tardes naquilo (o mercado perto daqui lucrou horrores com a compra de pregos). Três andares. Janelas, portas, telhado em zinco, persianas, pequeno elevador de “carga”, chão suportando uns
A terceira teve direito a pinguela, mas não consegui terminá-la, os eucaliptos ainda carregam as marcas. A última foi desastrosa. Não havia espaço e o lugar era muito suspeito para se construir algo. A cicatriz que possuo no queixo é fruto desta associação desastrosa... Em plena véspera de Natal.
Ah! Como adorava construir (e destruir) coisas, melhor não comentar.
Então as responsabilidades foram aumentando, as brincadeiras diminuindo, a indiferença crescendo. Deixei de fazer coisas que adorava, só voltei a chutar uma bola quando entrei no Ensino Médio, aquilo sim foi uma libertação.
Eu jogo muito bem, ok? (humildade acima de tudo)
Passou também. Agora sou eu no lugar dos meus irmãos e primos mais velhos. Eu não tenho muita afinidade com meus primos (a grande maioria), agora sou eu quem senta num canto vegetando. E pensar que jamais imaginei que este dia chegaria.
Agora eu tento imaginar como será sair de casa. Não possuo mais medo, apenas ansiedade, será que finalmente eu aprenderei a cozinhar? Luis, se até lá eu souber algo você será a cobaia.
Por que crescemos tão rápido? Sério, logo todos estaremos trabalhando, estaremos formando família, estaremos nos aposentando. E tomando os exemplos atuais... Seremos assim tão estressados, tão rabugentos?
Espero que a criança que mora em mim nunca morra, mesmo.
Enfim... Este será o último post, por enquanto. Sem computador por um tempo e, não, não vou gastar dinheiro em lan house, nesse momento preciso economizar ao máximo. Pessoal, não entrem em depressão devida minha ausência, tá? Ah, e se alimentem bem!
Amo todos vocês (grande mentira).
Última observação: decidi que ninguém entrará com o calçado da rua em minha casa fikdik
