Poucas músicas conseguem me tocar e de fato emocionar como "Simple Man" da Lynyrd Skynyrd, não somente pela musicalidade, pela perfeição do arranjo, mas pelo seguinte trecho:
"Boy, don't you worry you'll find yourself, follow your heart and nothing else, and you can do this if you try. All I want for you my son is so to be satisfied".
Ao ouvir isso várias vezes, não tenho como não lembrar da singela noite em que eu estava lá sentada em frente a minha mãe, a poucos minutos para retornar a Curitiba. Lembro de estar muito nervosa e pensando se aquele era um bom momento para falar o que há muito já estava entalado na minha garganta.
Acredito eu (quero acreditar, meus amigos) que todos têm bem claro sobre a minha bissexualidade, apesar de apenas um ser humano ter me perguntado diretamente sobre isso (o que até hoje entra para o meu top 10 de situações engraçadas, já que eu jamais esperaria essa pergunta da pessoa que a fez, e que ainda perguntou se eu me sentiria ofendida pelo que ela viria a perguntar), prefiro acreditar que pelo por uma fração de segundo isso tenha passado pela cabeça de vocês, sério. Mas... Como dizia, lá estava eu, sentada, nervosa, enrolando, procurando a melhor forma de dizer:
- Mãe, queria te contar uma coisa, algo que gostaria de compartilhar há algum tempo já...
- Iiih, quando começa com esse suspense todo, desembucha.
-... Você não vai mesmo se importar se eu trouxer pra casa um genro ou uma nora, né?
Foram os segundos de silêncio mais torturantes da minha vida! Ela ficou parada olhando pra mim com uma expressão não muito decifrável.
- Como é? Espera, deixa eu pegar uma água que até deu um calor aqui.
É nesse momento que você apenas pensa: “Pronto, ferrou, adeus vida.”
- É, tipo... Ultimamente estou mais inclinada a te trazer uma nora, tem problema? (Respira, respira, RESPIRA!!!)
- Filha, sempre disse pra ti, o importante é a tua felicidade, quero que tu sejas feliz independente de como e com quem for. E outra, eu já desconfiava.
Sabe quando você sente uma tonelada saindo das suas costas? Foi o momento mais feliz da minha vida até então, porque por mais que eu soubesse que a minha mãe sempre foi cabeça aberta com essas questões de sexualidade, sempre fica uma pontada de dúvida, e ter o apoio da pessoa que mais se ama, a única de quem realmente importa a opinião (para mim) foi a coisa mais valiosa.
- O único que pode chiar alguma coisa, talvez, é um dos teus irmãos, mas deixa que com ele eu lido, vai ser feliz!
Eu senti TANTA vontade de chorar nessa hora, por ter a melhor mãe do universo, por ter essa pessoa maravilhosa ao meu lado, mesmo que não tenhamos laços de sangue ou genes compartilhados, apenas o mais importante, o espírito! Eu levantei e dei um super abraço, agradeci por ela ser assim e por compreender tão bem, para no final ainda ser trollada e receber a seguinte resposta:
- Sabe que eu sou uma mãe muito moderna, diferente da tua tia, não sei como demorou pra me contar. Só quero saber quando que tu vai trazer essa nora e se ela sabe se virar, apenas isso.
Detalhe, antes ela já perguntava (ainda que de brincadeira) quando que eu ia levar um genro ou uma nora pra casa, agora é oficial, toda conversa ou visita isso vira assunto, ainda que dona Iraci respeite meu espaço. Eu diria que esse foi meu divisor de águas, retornei tão feliz aquele dia que não me importei de não poder dormir e ir direto trabalhar.
OBRIGADA MÃE, VOCÊ É A MAIS LINDA DAS LINDAS, SUA LINDA!!
E depois de partilhar desse momento único e memorável, tentarei escrever o realmente interessa aqui, e como ontem (12/06) foi dia dos namorados, queria deixar expresso uma pequena fração dos meus sentimentos a uma pessoa muito especial, ainda que ela não saiba ou instintivamente saiba.
Não é novidade pra ninguém a minha dificuldade em ter qualquer contato mais próximo com qualquer pessoa, o que muitos não sabem é que esse é um fato decorrente do passado e que até hoje influencia em muito a minha personalidade. Também não é nenhuma novidade que eu tenha dificuldade pra sentir atração pelos outros seres humanos, poucas pessoas realmente me atraem, eu não estou falando de beleza, ok? Dentro do meu curso, pelo menos, eu poderia dizer que apenas dois seres são atraentes aos meus olhos, mas uma é arrogante demais (como pode? Tão bonita, e tão chata) e a outra é caloura e loira, então não se considera.
O que talvez seja novidade para alguns (não os frequentadores deste blog) é que há pouco mais de três anos sou apaixonada pela mesma pessoa. A mesma pessoa que dia após dia atormenta os meus pensamentos, o que demorou algum tempo para admitir que a paixonite que deveria durar um par de semanas tornou-se algo muito mais enraizado e difícil de controlar.
Mantive isso só para mim até o ano passado, quando finalmente compartilhei com alguns amigos. O interessante é que sempre que perguntei para eles palpitarem pra saber de quem se tratava, o mesmo nome aparecia... Errado, muito errado por sinal. Galera, vocês são muito ruins em deduções!
E ainda que ela não venha a ler isso, deixarei um pequeno fragmento do que escrevi numa dessas noites de insônia.
“Eu sempre acreditei que esses amores românticos, essas paixões que são retratadas nos filmes fossem uma tremenda bobagem. Que as pessoas deixam-se fraquejar baixando suas defesas perante outro estranho. Sempre me deixei levar pelo que meu cérebro regia ser mais seguro, racional, plausível. Mesmo quando acreditei ter me apaixonado pela primeira vez, eu não me deixei levar por esse sentimento, e mesmo assim, quando senti meu coração ser destroçado naquela oportunidade, reprimi todas as lágrimas e angústias a fim de controlar o que não devia sentir e desde então eu apenas me fechei para qualquer tipo de sentimento semelhante, desde o menor indício, já que aquilo de fato não me fazia falta, sentir essa vontade de apego a outro ser humano dessa forma platônica.
Não gosto de demonstrações públicas de afeto, por inúmeras razões, algumas mais complexas, mais dolorosas, outras apenas egoístas. É difícil para alguém com tanto orgulho se mostrar vulnerável frente aos outros. Mas mesmo assim, ainda assim, dessa vez, eu desejaria do fundo da minha alma ter essa oportunidade com ela.
Muitos já me disseram que o eu devo sentir é apenas uma paixão passageira, que hora ou outra irá desvanecer, seja com o tempo ou com a distância. Que posso estar encantada por uma figura que na realidade não existe, que apenas idealizei como perfeita em minha mente, e que no fim das contas não vale a pena sofrer assim. E diferentemente de outras ocasiões eu insisto em discordar, mesmo do meu lado racional. Posso não ser a pessoa mais experimente nessas questões, mas sei que o que sinto não é uma simples paixão, mas para ser sincera não sei exatamente como definir esse sentimento que ora é quente e acolhedor, ora é distante, frio e doloroso.
Tenho ciência de não ter me apaixonado por um corpo, um pedaço de carne, aos meus olhos se eu deixasse o senso crítico falar mais alto, eu não estaria tão certa que me deixaria envolver. Quero dizer... Ela é apenas uma garota normal, nenhuma beldade ou modelo. Ela tem um encanto natural, uma beleza que irradia de dentro para fora que a torna a mais linda de qualquer recinto aos meus olhos. (...) Pois eu vejo brilho em seus olhos, posso ver vida através deles, e é esse brilho que faz meus pulmões estufarem em alegria, que me faz sorrir feito idiota a cada encontro, ainda que talvez ela não perceba ou finja não perceber.
Que essa menina desastrada que insiste em me confundir sem intenção, dominou meus pensamentos sem eu perceber e acabou preenchendo um grande espaço dentro do meu coração. E se ela ao menos notasse ou prestasse atenção enxergaria os sinais. O quanto fico nervosa ao seu lado, o quanto digo coisas estúpidas e sem sentido quando conversamos, ou como apenas falo sozinha com mais frequência quando estamos lado a lado. Se ela soubesse a dificuldade que é estar próxima evitando qualquer tipo de contato quando a vontade é apenas de abraça-la forte e dizer o quanto a estimo e quero bem.
E ainda que eu saiba que todos esses poderiam ser apenas sintomas de paixão comum, o que eu desejo na verdade é poder partilhar minhas ideias, meu cotidiano com ela. Ouvir o quão proveitoso ou desastrado foi seu dia. Poder estar perto nos momentos bons ou ruins, rir, chorar, comemorar suas conquistas ao seu lado, ter a capacidade de arrancar um sorriso seu. O que importa é vê-la feliz, estando eu ao seu lado ou não.
Porque o amor não precisa ser reafirmado durante as 24 horas do dia. Ele não precisa ser juramentado ou confirmado em cartório. Ele apenas existe, apenas está por aí pairando sobre as nossas almas. E da mesma forma em que pode trazer o medo da solidão, ele também traz a certeza da companhia. E eu não sei quanto tempo esse amor irá durar, se assim posso chamar esse sentimento, mas com certeza posso afirmar que quando estou com ela não me sinto só, sinto-me completa, feliz, como se tivesse por perto tudo o que precisava. E se eu estiver a idealizar como perfeita é bem provável que essa seja uma verdade, já que assim como qualquer outro ser humano ela tem suas imperfeições, e essas fazem parte da sua perfeição para mim. Pois me apaixonei por esses pequenos defeitos, esses mínimos detalhes que tanto me irritam e tiram do sério, tanto quanto me apaixonei pelas diferentes e peculiares qualidades.
A você que foi capaz de me fazer despertar esse mais belo sentimento incondicional, meu muito obrigado. Passe o tempo que passar irei lembrar com entusiasmo desses dias, dessa pessoa incrível que tornou meus dias melhores só por apenas existir e me fazer sentir capaz de querer tomar conta de alguém dessa forma, obrigada por me ensinar uma outra forma de viver.”
Espero que possa iluminar meus dias por mais algum tempo.



