domingo, 30 de maio de 2010

LUTO


Lá estava eu preocupada com a situação em que se encontrava minha avó, quando recebo a ligação de minha mãe. Dona Tercila estava bem e já recebido alta, um sentimento de alívio me invadiu, contudo, o frio percorreu-me a espinha quando ela disse que havia uma notícia triste para me dar: um dos meus tios havia sofrido um AVC na manhã anterior e se encontrava na UTI, com morte cerebral praticamente diagnosticada. Foi um baque, eu fiquei sem fala por uns instantes tentando assimilar a situação. Lembrei de minha tia, lembrei dos meus primos que se encontravam distantes e uma vontade imensa de chorar veio.

Um filme se passou pela minha cabeça, cenas da semana anterior, em que lá estávamos nós, reunidos naquele apartamento, tendo uma conversa feliz. Meu tio conversava comigo, orgulhoso pelas coisas que eu estava apredendendo na faculdade. Lembro ainda da maneira como ele dizia "futura Doutora Tuany, mas hein, que orgulho".

A empolgação dele ao falar comigo sobre esse assunto me motivou umas tantas vezes, eu podia sentir a sinceridade naquelas palavras.

Esse meu tio, por muitas vezes, teve algumas de suas atitudes contestadas, e até mesmo visto com cara torta por outras pessoas, mas eu somente quero lembrar daquela pessoa engraçada, que gostava de conversar sobre o que acontecia no mundo, que se interessava pelos estudos de seus filhos e sobrinhos, uma pessoa com um bom coração.

Eu ainda não consigo acreditar que isso tenha acontecido. Foi fulminante, talvez sem dor, o que nos alivia. Porém, ao pensar que esse pai não tenha tido a oportunidade de dizer um até logo para seus entes queridos me deprime, muito.

Ninguém está preparado para esse tipo de situação, tem horas que eu até penso que algumas pessoas são imortais, ou que somente a vida seguirá seu caminho lógico: as famílias se constituem, os filhos crescem, constroem suas vidas, casam, têm filhos e só então, quando estiverem beirando uma velhice mais avançada é que esses pais irão perecer.

Nossos familiares não são imortais, as pessoas mais queridas para nós são imortais. A imagem que temos delas, o sentimento que nutrimos por elas talvez seja, mas um dia elas irão,simplesmente, atravessar a grande porta, muitas vezes sem uma despedida, sem um último sorriso, sem um último abraço, sem um último "eu te amo".

Talvez seja isso que nos torne humanos fracos e egoístas. Não nos preparamos para essa passagem, lembramos e costumamos dar valor ao que era mais importante quando a morte se faz presente. Logo choramos perante túmulos, nos indignamos, julgamos um "Deus" por ter levado um amigo, um parente. Outros ainda chamam pelo nome da pessoa, entram em depressão, não é somente uma dor pela saudade, mas quem sabe uma dor de culpa.

Culpa pelas brigas insignificantes, culpa pelo tempo gasto com coisas supérfulas e que poderiam esperar ao invés de ter trocado um par de palavras com aquela pessoa especial, culpa por aquilo que deveria ter feito e não fez.

Humanos são fracos, despreparados.

Eu sou um desses humanos, eu sei que agiria bem dessa forma caso eu perdesse, nesse exato momento alguém especial para mim e por isso eu tento me educar a ponto de querer mudar algumas coisas.

Quero passar o máximo de tempo que posso com minha família quando eu vou para casa, ainda que haja aqueles que achem isso idiota, para minha pessoa é essencial: família, os que estarão ali para mim, incondicionalmente. E quando chegar a hora de partir, ter pelo menos em mente que eu fiz as coisas o mais corretamente possível, que eu pude aproveitar ao máximo os momentos de amor e carinho.

Algumas pessoas deviam dar mais valor àqueles que vão estar te apoiando nos momentos mais difíceis, gente que está ao meu redor e que não percebe os seus tesouros. Eu não quero ser uma dessas pessoas e por essa razão, por mais clichê que seja, eu quero que minha mãe, meus irmãos, meus amigos saibam: eu os amo muito.

E ao meu querido tio Valdir, obrigada pelo tempo que passou conosco e esperamos nos encontrar numa próxima encarnação.

3 comentários:

Unknown disse...

Nem sei o que falar. Não posso falar nada sobre, pois a pessoa mais próxima que eu perdi até hoje foram tios-avós. Eu sei que um dia vai cehgar a hora de as pessoas próximas começarem a se ir. É triste. Demais.

Novamente, nem sei o que falar =/

Unknown disse...

triste.. realmente mto triste, principalmente qndo são pessoas proximas a gnt...
não consigo me imaginar numa situação dessa... nós saimos de casa, não moramos mais perto de todos como costumávamos, agora eh diferente, tbm somos + crescidos...
algumas vezes tento me preparar para receber noticias desse tipo, mas não sei msm como posso reagir...
e como vc disse, sempre tentamos fazer os momentos bons e dizer q amamos, assim tentamos nos despedir...
vou estar aki para oq vc precisar ^^ te amo e força

Unknown disse...

Não foi fácil... E só está começando =/// Mas é o ciclo da vida.


Tukaa ÓTIMOOOO texto!!! Parabéns!
Força aí... =****