segunda-feira, 16 de novembro de 2009

A MARCHA DOS CONDENADOS

Estou com pressa, muita pressa, perdoem os erros, mas finalmente aqui está o primeiro capítulo. Sim, pode estar meio confuso, mas como eu disse, estou com muita pressa e nem revisei, espero que apreciem e aguardo comentários. Fim.




Capítulo 1

A marcha dos condenados

Já não há como chamar este lugar de Planeta Terra, Gaia, Grande Globo Azul. Por mais esforços que implicaram a guerra contra os próprios erros foi perdida. Agora o céu se cobre de cinza e a água é vendida a preços absurdos, a população se esconde da grande radiação, há mais desertos que cidades.

Não houve uma terceira grande guerra, não existiu uma razão, as nações mais despreparadas se perderam em seu próprio mundo de horror. As grandes e magníficas cidades foram arrastadas por uma onda de caos, se tornando centros de pobreza, violência e desespero. Novas metrópoles surgiram e continuaram nas mãos de poucos, a corrupção virou o coração do Estado, aquele que se rebela é duramente repreendido, estamos vivendo a era de um novo holocausto.

As pessoas já não conseguem sonhar, aliás, não conseguem nem dormir. Refugiam-se em suas casas na ilusão de estarem protegidos. Estupros e assassinatos já não sucedem somente na escuridão, filhos não perecem apenas entre balas perdidas. Não houve mudanças para os pobres, não houve medidas de combate à fome, não houve a preservação dos recursos naturais. O futuro não é como proferiam há tantos anos, não existem carros voadores, não é um tempo de novas tecnologias – as que existem estão sob o poder daqueles que possuem os recursos necessários para dominá-las-, os pais esqueceram as canções de ninar, essas se transformaram em cantos fúnebres.

A decadência das indústrias causa medo no povo, o número de casos de intoxicação é alarmante, faltam alimentos para a população, milhares de crianças são abandonadas por minuto, lixões viraram berçários, e o pior, o dinheiro é lavado com sangue. Agora não existe apenas uma única potência, voltam-se as máfias, “os grandes chefões”; eles empregam a população com armas, drogas, contrabandos, são deuses que todo dia recebem “oferendas”, eles é que ditam as regras, os líderes dos governos são apenas fantoches que uma hora ou outra são descartados publicamente.

Agora vocês já sabem, e podem decidir (eu não tenho escolha) se querem seguir adiante. Retirem a senha, entrem na fila e sejam bem vindos a uma longínqua época, esta será a marcha dos que estão condenados.

*****

Não faço ideia de como hoje denominam esse lugar, apenas sei que se trata de alguma cidade do que um dia foi parte da grande Pequim, num bairro dito proibido, numa terça-feira na Rua 184. Naquele momento eram são seis horas e quarenta e três minutos, dia 31 de dezembro.

Despertava mais um amanhecer, podia sentir a fria brisa cruzar a fronteira com a minha pele, minhas orelhas se arrepiaram, abri levemente os olhos. Permaneci numa posição nada cômoda, encolhido ao lado daquelas “horrendas gárgulas” – se esses tolos realmente vissem uma gárgula acabariam caindo no riso – ao notar a rua abaixo de meus pés vi algumas dezenas de carros naquele bairro, esperei.

As cortinas jaziam fechadas, apesar de que ele nunca as abria, segundo os meus cálculos dentro de cinco minutos despertaria. Podia ver claramente o número 913 grafado naquela porta velha repleta de arranhões, um número um tanto curioso e supersticioso - não para mim, é claro, contudo, divertia-me ao ver esses meros seres mudando de direção ao visualizar um simples gato negro em seu caminho ou um singelo treze no relógio. Sentei-me, dessa vez, ,confortavelmente, na borda, que mesclava o concreto e o metal, do parapeito do prédio, e finalmente percebi os seus primeiros movimentos.

Nicholas Lóng há muito havia perdido as esperanças de usufruir de uma vida digna. Quando criança perdera a mãe, vítima de uma das tantas doenças infecciosas que se alastraram pelos cinco continentes, para não ser menos clichê. Após o fato o pai caiu na bebida deixando de lado toda e qualquer responsabilidade para com o garoto. Nicholas cresceu com a responsabilidade de sustentar seu progenitor trabalhando como o menino de recados da máfia local, convivendo com o perigo adquiriu experiência com armas e o combate corporal, além de se tornar um indivíduo amargurado e desconfiado.

No início tinha tudo para ser um jovem normal– segundo as coisas que ouço por essa cidade-, algo raro em tempos como esses. Era alto, um tanto magricela, dono de olhos castanhos levemente amendoados, nariz carrancudo, braços desproporcionais. Seus cabelos tocavam os ombros e eram negros como a noite. Porém, os problemas apenas se agravaram a partir da última briga com o pai. Na ocasião, Nicholas fora expulso de casa, e desde então se sustentava a partir de pequenos trabalhos, “bicos” - como vocês costumam chamar. Seu humor se tornou instável, suas ações mais violentas, todavia, para piorar a situação descobriu ser portador de um vírus letal obrigando-o a ingerir um rigoroso coquetel de remédios, aos poucos sua fisionomia se modificou, o rosto envelheceu e adquiriu cicatrizes assim como outras partes de seu corpo, o cabelo cresceu dando-lhe um ar mais perverso, as olheiras notavam-se mais freqüentes, a magreza deixava mais claro os músculos. Poderia muito bem dizer que tudo isso era de seu merecimento, mas infelizmente não tenho esse direito.

Nada mais era como antes, já não podia caminhar tranqüilo pelas ruas da cidade, já não conseguia se sentir seguro em seu pequeno apartamento, já não via motivo algum para seguir vivendo naquele estranho lugar.

Por muito tempo as farsas do governo se mantinham escondidas, o Estado modelo, como era chamado havia desmoronado após o caso “Pílulas de Sangue” em que operários da tradicional fábrica de medicamentos do país tinham sido chacinados em menos de vinte e quatro horas, o motivo ainda era desconhecido, pelo menos oficialmente. Só restava uma certeza, os novos tempos estavam começando, mas Nicholas não estava disposto a se adaptar a essa nova vida.

*****

Abriu os olhos repentinamente sentindo o suor escorrer pelo rosto. A respiração ofegante contrastava com a arritmia. Sentou-se levando as mãos aos fios úmidos de cabelo ao mesmo tempo em que o alarme do rádio soou tocando a mesma música dos últimos treze meses. Tateou o peito nu notando a pequena mancha roxa próxima ao abdômen, amaldiçoou aqueles remédios que pareciam mais derrubá-lo do que curá-lo.

“Bom dia! São sete horas de terça-feira, o dia está nublado e a temperatura é agradável”. Anunciou felizmente o locutor.

Lançou um olhar de desprezo ao aparelho, resmungando em seguida.

- Não me diga... O governo também decidiu doar dinheiro aos pobres? – levantou-se e caminhou em direção ao roupeiro onde se serviu da única camisa branca presente neste.

“Não vá se atrasar, caro ouvinte, pois é véspera de ano novo e o trânsito será dos piores!”.

- Sim, sim, agora cale a boca... – respondeu para o nada enquanto seguia até a cozinha.

Um lugar velho, jogado às traças, a tinta se desprendia das paredes enquanto a madeira podre do armário rangia. Na pia não havia sujeira, mas o ralo continha uma enorme quantidade de ferrugem e baratas. A pequena vidraça, coberta pelo pó, mal permitia a vista até o prédio vizinho, enquanto as cortinas se mantinham impecáveis. Não era um cômodo desorganizado, pelo contrário, xícaras e talheres estavam em seus respectivos lugares ordenados um a um, as cadeiras eram três, gastas, assim como a mesa, todos os objetos pertenciam à antiga mobília. A única mudança visível no local era a iluminação que tinha sido substituída por uma lâmpada mais fraca, deixando o ambiente em leve penumbra, algo que dava um ar misterioso ao recinto.

Ao abrir a porta da geladeira deparou-se com escassos alimentos. Uma garrafa de cerveja com apenas metade do seu conteúdo, algumas folhas de alface, uma caixa de leite vazia, e um pedaço de queijo que continha bolor. Analisou-os por alguns instantes para enfim se decidir pegando a garrafa. Fechou-a tomando alguns goles do líquido amarelado.

“Miau”. Faminto o gato negro ronronava se enroscando entre as pernas de seu dono que apenas o ignorou.

- Agora não, Midgar, vá caçar ratos.

Em cima do balcão jazia o frasco branco das pílulas matinais, tirou duas e as engoliu sem mais caretas, em seguida tragou mais um pouco da bebida. Puxou uma cadeira e sentou. Em cima da mesa o jornal do dia anterior o qual estampava como manchete mais um frustrado ataque aos caminhões de água monopolizados pelo governo. Sorriu com escárnio.

- Bando de idiotas, esse tipo de golpe nunca irá funcionar. – disse ainda pensando estar só.

- E você sabe como fazer funcionar? – perguntou uma voz suave vinda da porta da cozinha, causando grande espanto no moreno.

Nicholas girou os olhos naquela direção e gelou ao ver aquela imagem tão serena. Hana; uma moça de estatura mediana, silhueta delgada e de aparência simples, cabelos louros e olhos verdes, apesar do sotaque russo suas falas não deixavam de ser suaves. Ela lhe lançou um leve sorriso que não recebeu resposta.

- O que faz aqui? - inquiriu ríspido dando as costas à moça para em seguida largar a garrafa vazia na pia.

Ela não entendeu muito bem aquela atitude, ou simplesmente resolveu ignorar, mas não perdeu o bom humor.

- Eu tenho isso. – disse largando o molho de chaves sobre a mesa – Esqueceu?

Nicholas não respondeu, analisou a loira dos pés a cabeça tentando entender a situação, petrificou ao ver como ela puxava uma cadeira.

- O que temos para o café? – perguntou ela inocentemente.

Para o rapaz aquilo soou mais como uma provocação e em razão disso deixou transparecer sua fúria.

- Ainda não me respondeu, por que você está aqui? – pousou as mãos sobre a madeira de maneira pouco delicada.

A mulher estremeceu perante o gesto violento perdendo qualquer fala coerente. Tentou olhar dentro daqueles olhos, mas eles pareciam não lhe dar nenhuma resposta.

“Miau”. Repentinamente o felino saltou sobre o colo da moça amenizando a situação.

- Midgar! O que foi? – aninhou-o ignorando o ser estático a sua frente.

- Largue o gato e olhe para mim quando eu estiver falando! – novamente ela o ignorou enfurecendo ainda mais o rapazHana! – bradou socando a mesa assustando o bichano que correu para o lugar que parecia a área de serviço.

- Veja só o que fez! Assustou o pobre. Qual é o seu problema, Nicholas? – seus olhos já não demonstravam mais a mesma serenidade anterior, contudo, ele mal se importou com a pergunta, apenas revidou:

- Por que não responde “a minha pergunta?” – inquiriu infantilmente fazendo-a perder a boa conduta que mantinha.

- Quer saber? Eu só queria salvar o nosso relacionamento, mas estou vendo que isso é impossível tratando de alguém como você. – começou com os olhos já vermelhos e lacrimejantes, tremia, se aquela bolsa fosse de qualquer outro material estaria em pedaços. – Não sei o que aconteceu, nesses últimos meses essa sua mudança, seu comportamento, nos afastamos tanto... – declarava a beira das lágrimas -... Que fim levou nosso amor, Nick... Pode me responder?

Ele sabia, não tinha essa resposta, percebia o olhar triste, percebia o esforço naquelas palavras, mas... Raciocinar era algo difícil para ele. Hana o encarou, esperou, baixou o olhar, o fez vagar por um canto qualquer do cômodo, mas só recebeu o silêncio. O jovem engoliu seco, também mudando a direção do olhar que pairava sobre as ripas do chão, enfim, resolveu dar um fim àquela incômoda situação.

- Era só isso que queria me dizer? – perguntou frio.

Incrédula, era o que diziam os olhos da moça sobre o seu atual estado.

- Só... – respondeu fraco.

- Então acho que não vai mais precisar das chaves. – apontou com as mãos nos bolsos do jeans velho, o molho sobre a mesa.

A loira não quis acreditar em tais palavras, deu pequenos passos para trás e num impulso saiu correndo daquele apartamento batendo a porta com fúria ao sair. O rapaz somente tratou de mirar a direção por onde sua ex havia tomado rumo. Suspirou sem arrependimentos, no fim nem ele entedia o que estava se passando na sua cabeça. Tinha a impressão de que se a afastasse a estaria salvando de algum mal, a salvando de seu ego. Até porque ela havia mencionado o amor, mas o que na verdade era esse sentimento? Nicholas sabia que em nenhum momento havia amado aquela doce garota, talvez a desejado, mas nunca a amado, no máximo um sentimento de gratidão por tentar salvá-lo de uma rotina de dor e escuridão, contudo, o amor ele só tinha provado uma única vez e muito tempo se passou desde então, desde que sua amada mãe havia migrado para o mundo dos mortos.

Voltou a atenção para o jogo metálico que permanecia sobre a mesa. Perguntou-se o motivo da loira ter o trabalho de carregar tantas chaves consigo. Recolheu o objeto e o analisou como se escondesse um grande mistério. Contou. Eram cinco no total, pareciam tão frias.

A de cobre abria a porta da recepção, a prata pertencia à entrada, a verde indicava o pequeno escritório abandonado, a negra encaixava-se perfeitamente na fechadura de seu quarto, mas a dourada... A dourada era a incógnita, não havia qualquer outro trinco em sua moradia. Toda atenção focou-se naquele pequeno objeto, o discreto brilho o atraia, sentia um rastro de energia a circulando, algo que o embriagava, seduzia. Teve a nítida impressão de ela estar o chamando com pequenos sussurros. ”Tum dum tum dum tum dum” – as batidas de seu agitado miocárdio. Uma voz grave e maciça, um coro, um grito...

“Miau”.

Saltou ao ouvir o miado daquele maldito gato que agora o mirava com cautela de modo que parecia saber de alguma coisa. Teve medo, pela primeira vez em um muito tempo. Sentiu um frio na espinha, sentiu o sangue gelar, sentiu novas palpitações. Estremeceu quando seus olhares cruzaram, e ao analisar uma última vez aquelas chaves o felino desapareceu. Como se segurasse em brasas largou-as no chão cru. O som ecoou pelo silêncio do prédio quase abandonado, e o rapaz não teve dúvidas em deixar a cozinha.

O caminho era curto, mas teve a nítida sensação de estar sendo observado por olhos demoníacos. Sua cabeça começou a pesar, a latejar, um choque de nervos que o fadigavam. Cambaleou, chocou-se contra a estante, sofá, luminária. Levou as mãos à cabeça, tudo parecia girar. Imagens queriam se formar, todavia, nada mais era nítido, nada. Despencou em seguida sobre as velhas almofadas da poltrona batendo com semelhante força no assento da mesma, desmaiou tendo a certeza de ter visto o felino lhe observar serenamente.

*****

A sala mantinha-se escura, era pouca a luz que conseguia atravessar as cortinas acinzentadas. Entre frascos, compostos e tubos de ensaio a figura do pequeno cientista se formava. Em cima do balcão diversas folhas rascunhadas eram reviradas por ele que tentava decifrar aqueles dados. Falava sozinho, largava injúrias aos pobres relatórios que não podiam se defender. Olhou para o relógio, já eram oito horas, o pequeno filete de suor contornou a haste dos óculos. Engoliu a saliva em um esforço, as peças do quebra cabeças pareciam se formar em sua mente, unindo as partes que faltavam.

Puxou uma folha em branco tratando de repassar as novas informações. As olheiras se acentuavam, piscou inúmeras vezes passando a mão sobre a testa enrugada. O leve pingo de suor penetrou na fina lâmina borrando o pequeno escrito. O “tic tac” do relógio se fazia mais presente, acompanhando seus tremeliques. Faltava pouco, muito pouco para completar sua tese. O cromossomo chave, o DNA certo, evolução. Não podia deixar de mirar o ponteiro dos segundos, moviam-se rapidamente, cada vez mais perto de seu prazo. Voltou a olhar para o papel, os números pareciam embaçar, correr, se ocultar. Piscou. A lente dos óculos nublava. O jaleco branco molhava nas bordas, as mãos umedeciam, e por mais que tentasse as secar, a sudorese apenas crescia.

Ouviu claramente os passos nas escadas, as vozes cada vez mais próximas, próximas... Até o escancarar da porta. Sentou-se tranqüilo, cruzou as pernas, buscou a xícara tentando disfarçar o nervosismo, esperou até que o grupo de brutamontes desse passagem ao chefe. Encostou levemente os lábios naquela fina porcelana, apenas seu gole foi audível, mirou aqueles homens de preto, sérios, carrancudos, eram quatro, quatro fazendo a segurança de uma criatura medíocre.

- Ora, ora, o doutor Woang bebe chá, quem diria, eu, Katawari, fico surpreso com tal imagem, posso saber o sabor?

Sim, sua fala carregada de ironia demonstrava o desprezo que tinha pelo velho. Um ser que sabia ser superior apenas rodeado de seguranças ou com uma arma em mãos. Podia muito bem ser confundido com um filhinho de papai, vinha de uma família tradicional. O termo bem passado, o cabelo negro alinhado, os olhos levemente abertos. Parecia um morto, a pele pálida, os lábios quase sem cor. Franzino, baixo demais por ser um homem.

O cientista o encarou, desafiador, bebeu mais um gole até abandonar a bebida deixando a xícara junto ao pires sobre a mesinha ao lado do sofá. Ignorava-os completamente. Alguns daqueles homens se entreolharam, esperando ordens, mas o rapaz apenas sorriu com escárnio.

- Sabe que não é uma atitude sensata negar minhas vontades, não esteja tão certo de seu destino, doutor, as coisas podem mudar a seu favor dependendo das suas palavras. – disse enquanto caminhava a passos lentos na direção do balcão bisbilhotando os papéis que ali jaziam. – Posso falar com “ele”, mas sabe que não gosta de ser incomodado, por isso, basta dar o que eu preciso. - finalizou com um sorriso enquanto parava ao lado do velho.

Nada, continuou inerte como se aquilo não o interessasse, o outro bufou, mas não perdeu o sorriso, baixou a cabeça e com a vista oculta por algumas mechas de cabelo sussurrou tranqüilo.

- Sabe, vovô, eu sempre quis conhecer a sua neta, como é mesmo o nome... Lee... Leung... Como é mesmo?

A fala causou lhe certo efeito, pois seus olhos estreitaram, por debaixo do jaleco firmou-se em algum objeto, e num salto pôs a pequena arma no centro do crânio do outro que paralisou entre o experto e o balcão. Os guarda-costas armaram-se e miraram numa única direção, mas o moreno, ainda sorrindo, lhes deu um sinal de que estava tudo bem.

- Se você ousar tocar num fio de cabelo da minha neta eu juro que explodo seus miolos, seu crápula.

- Calma, eu apenas disse que queria conhecê-la. – ironizou.
A arma tremia em suas mãos, outra vez aquela sudorese, o sangue fervia, subia. Como podia rir numa hora dessas? Ele estava lhe apontando uma arma bem no centro da cabeça, com o dedo no gatilho... Como ainda debochava de sua situação? Queria, queria atirar, mas o pouco de sanidade que ainda restava o impedia.

- Vamos, abaixe essa arma, sabe muito bem que sou eu quem lhe sustenta, quem lhe apóia, de nada adiantaria me matar, uma palavra minha e “ele” viria até aqui, acabaria com a sua miserável vida num segundo, e o que seria da sua preciosa neta depois disso? Diga-me!

Pela primeira vez ele falava sério, sem nenhum tipo de expressão alegre, no fundo temia a morte e sabia que motivos não faltavam ao ancião para querer tirar-lhe a vida. Já Woang só conseguia ouvir as batidas do seu coração, Katawari falava sem parar, mas apenas distinguia o movimento da boca, sem som, ruído, voz. Sua pressão descontrolava-se, sentia-se estranho, um mal estar, como se a morte estivesse próxima. O moreno o observou perplexo. Segurou-o impedindo a queda, em conseqüência dos espasmos que o velho sofria. Naquela manhã a última imagem do doutor fora a janela com vista para o parque Central.


6 comentários:

Eduardo disse...

Olha, conseguiu me deixar ansioso pelo próximo capítulo. :D
Eu gostei, gostei mesmo.
O futuro pessimista é uma idéia meio fácil né, mas você ilustrou bem.
Você usou muito "a mesma", mas, sei lá, pode ser uma marca do seu estilo né.
Você figura muito bem o estado de espírito dos personagens! Não cansa na descrição física da cena e traça muito bem os perfis psicológicos deles.

Parabéns, ficou bom! :)

Unknown disse...

pq as hist tem q ser tristes? u.u ñ podem ser felizes :D?
como vc escolheu os nomes? o-o

lol.. como um cara pobre pra k7 tem jornal de manhã na mesa? isso é só para ricos :O

" Então acho que não vai mais precisar das chaves. – apontou com as mãos nos bolsos do jeans velho, o molho sobre a mesa." <-- foi inspirado em mim ahahahahahah

e as chaves foram inspiradas nas suas chaves :P não eh?

do resto parece q a hist vai ser boa, mto misterio ainda

só acho q não precisava fuder tanto com o mundo, ele jah tah bem fodido :P

fer disse...

me lembrou tanto as minhas histórias T.T

Unknown disse...

Não sei o que comentar
...

De uma coisa eu tenho certeza, melhorou bastante do início para o fim do capítulo.

Beijo

Unknown disse...

ai jesuis, eu tenho que elr isso ainda...até o fim desse ano eu leio!
juro!

Unknown disse...

uhulll o//
li o cap 1 o//
Tu escreve muito bem, eu já disse isso

Ah, só não entendi pq tá narrando em primeira pessoa lá pelo começo depois vai rpa terceira pessoa de novo...